terça-feira, 13 de outubro de 2009

A APRENDIZAGEM É IMITATIVA

CARTA DA TERRA

CARTA DA TERRA – Versão Integral

Preâmbulo

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que, nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e é causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano é primariamente ser mais, não, ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios, ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal

Para realizar estas aspirações devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos ao mesmo tempo cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual, a dimensão local e global estão ligadas. Cada um comparte responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem estar da família humana e do grande mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo presente da vida, e com humildade considerando o lugar que ocupa o ser humano na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à emergente comunidade mundial. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas de negócios, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente do uso humano.b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.a. Aceitar que com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger o direito das pessoas.b. Afirmar que, o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder comporta responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e dar a cada a oportunidade de realizar seu pleno potencial.b. Promover a justiça econômica propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, a longo termo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.Para poder cumprir estes quatro extensos compromissos, é necessário:

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.a. Adotar planos e regulações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas em perigo.d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.e. Manejar o uso de recursos renováveis como a água, solo, produtos florestais e a vida marinha com maneiras que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.f. Manejar a extração e uso de recursos não renováveis como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminua a exaustão e não cause sério dano ambiental.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e quando o conhecimento for limitado, tomar o caminho da prudência.a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica seja incompleta ou não conclusiva.b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmam que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo termo, indiretas e de longa distância.d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis como a energia solar e do vento.c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar aos consumidores identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.e. Garantir acesso universal ao cuidado da saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e o suficiente material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e uma ampla aplicação do conhecimento adquirido.a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social, econômico e ambiental.a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e dar seguro social [médico] e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se a si mesmos.c. Reconhecer ao ignorado, proteger o vulnerável, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

10. Garantir que as atividades econômicas e instituições em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro e entre nações.b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e aliviar as dívidas internacionais onerosas.c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas laborais progressistas.d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, ao cuidado da saúde e às oportunidades econômicas.a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiros plenos e paritários, tomadores de decisão, líderes e beneficiários.c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a criação amorosa de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, dando especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas na raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os para cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.d. Proteger e restaurar lugares notáveis, de significado cultural e espiritual.

IV. DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, a participação inclusiva na tomada de decisões e no acesso à justiça.a. Defender o direito a todas as pessoas de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tivessem interesse.b. Apoiar sociedades locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na toma de decisões.c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição [ou discordância].d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo mediação e retificação dos danos ambientais e da ameaça de tais danos.e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes e designar responsabilidades ambientais a nível governamental onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar na educação formal e aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e a jovens, oportunidades educativas que possibilite contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.b. Promover a contribuição das artes e humanidades assim como das ciências na educação sustentável.c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massas no sentido de aumentar a conscientização dos desafios ecológicos e sociais.d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e diminuir seus sofrimentos.b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento externo, prolongado o evitável.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

PERMACULTURA

O QUE É PERMACULTURA?
A permacultura é um método holístico para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.
Foi criada pelos ecologistas australianos Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970. O termo, cunhado na Austrália, veio de permanent agriculture, e mais tarde se estendeu para significar permanent culture. A sustentabilidade ecológica, idéia inicial, estendeu-se para a sustentabilidade dos assentamentos humanos.
Os princípios da Permacultura vem da posição de Mollison de que “a única decisão verdadeiramente ética é cada um tomar para si a responsabilidade de sua própria existência e da de seus filhos” (Mollison, 1990). A ênfase está na aplicação criativa dos princípios básicos da natureza, integrando plantas, animais, construções, e pessoas em um ambiente produtivo e com estética e harmonia.
Permacultura é uma síntese das práticas agrícolas tradicionais com idéias inovadoras. Unindo o conhecimento secular às descobertas da ciência moderna, proporcionando o desenvolvimento integrado da propriedade rural de forma viável e segura para o agricultor familiar.
A permacultura, além de ser um método para planejar sistemas de escala humana, proporciona uma forma sistêmica de se visualizar o mundo e as correlações entre todos os seus componentes. Serve, portanto, como meta-modelo para a prática da visão sistêmica, podendo ser aplicada em todas as situações necessárias, desde como estruturar o habitat humano até como resolver questões complexas do mundo empresarial.A Permacultura origina-se de uma cultura permanente do ambiente. Estabelecer em nossa rotina diária, hábitos e costumes de vida simples e ecológicos – um estilo de cultura e de vida em integração direta e equilibrada com o meio ambiente, envolvendo-se cotidianamente em atividades de auto-produção dos aspectos básicos de nossas vidas referentes a abrigo, alimento, transporte, saúde, bem-estar, educação e energias sustentáveis. (RICIARDI, Ju. 2008)
HORTA MANDALA
O QUE SIGNIFICA?O termo mandala vem do sânscrito e significa “sagrado” ou “círculo mágico”. Trata-se de um jardim de círculos concêntricos que respeitam a agricultura ecológica. “Um dos seus princípios é: copie o desenho da natureza. Como nela tudo é arredondado, os canteiros retos foram reformulados”. Pode-se ter um tanque de irrigação no centro. Por meio de linhas de drenagem, a água escorre para o meio e é recaptada para o sistema. “Na agricultura convencional, a água é barrada para evitar a erosão do solo”. A mistura de espécies tem um papel fundamental. Quanto maior a diversidade delas, maior o equilíbrio ambiental e menor o índice de pragas e a necessidade de intervenção. “Para isso, é necessário observar o que dá e o que não dá na região. Há plantas companheiras e outras que não se toleram”. A rotatividade de plantas contribui para a saúde do solo. “Cada espécie precisa mais de um determinado nutriente. Se plantamos sempre a mesma coisa, logo o solo vai se esgotar nesse nutriente. Se alternamos espécies, ele permanece rico”. A horta mandala prevê ainda a inclusão de animais. Se for construído um tanque de água no centro, é possível introduzir peixes e galinhas em cercados ao redor. Dos animais, utiliza-se o esterco como fertilizante. E o ciclo de sustentabilidade continua seu caminho. Kátia Stringueto – Revista Bons Fluidos.

domingo, 11 de outubro de 2009

Sugestões de Bibliografias sobre Educação Para a Paz

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A canção das setes cores: educando para a paz. São Paulo: Contexto, 2005.

BRANDÃO, Carlos. Propostas pedagógicas para culturas de vocação da paz: algumas idéias desde a América Latina. In: ______. Em campo aberto. São Paulo: Cortez, 1995, p. 37-58.

BOULDING, Elise. Cultures of peace: the hidden side of history. New York: Siracuse University, 2000.

GUIMARÃES, Marcelo Rezende. Um novo mundo é possível: Dez boas razões para educar para a paz, praticar a tolerância, promover o diálogo inter-religioso, ser solidário, promover os direitos humanos. 1. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2004.
GUIMARÃES, Marcelo Rezende. Educação para a Paz: sentidos e dilemas. Caxias do Sul, RS: Educs,2005. GUIMARÃES, Marcelo Rezende. A educação para paz como exercício da ação comunicativa: alternativas para a sociedade e para a educação. In: Revista Educação/Faculdade de Educação. Porto Alegre, RS, ano XXIX, n.2, Maio/Ago.2006, p. 329 - 368.

HICKS, David. Educación para la paz: cuestiones, princípios y práctica en el aula. Madrid: Ediciones Morata, Ministério de Educación y Ciencia, 1993.

JARES, Xésus. Educação para a paz: Sua teoria e sua prática. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre, RS: Artmed, 2002.

JARES, Xesús. Educar para a verdade e a esperança: em tempos de globalização, guerra preventiva e terrorismos. Porto Alegre: Artmed, 2005.

KANT, Immanuel. À paz perpétua. Porto Alegre: L&PM, 1989.

MEAD, Margaret. La guerra es una invencion no una necesidad biologica. In: ______. La antropologia y el mundo contemporaneo. Buenos Aires: Siglo Veinte, 1971.

MILANI, F. Cultura de Paz x Violência. Papel e Desafios da Escola. In: Cultura de Paz: Estratégias, Mapas e Bússolas. Salvador: INPAZ, 2003.

ORTEGA Y GASSET, José. Epílogo para os igleses. In: ______. A rebelião das massas. 2.ed. Rio de Janeiro: Livro Ibero-Americano, 1962.

ROSENBERG, Marshall. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006.

SEQUEIROS, Leandro. Educar para a solidariedade: projeto didático para uma nova cultura de relações entre os povos. Porto Alegre: Artmed, 2000.

SERRANO, Gloria Pérez. Educação em valores: como educar para a democracia. Porto Alegre: Artmed: 2002.

TUVILLA RAYO, José. Educação em direitos humanos: rumo a uma perspectiva global. Porto Alegre: Artmed, 2004.

Mohandas Karamchand Gandhi

“A não-violência é a completa ausência de mal querer para com tudo o que vive. A não-violência, sob a sua forma ativa, é boa vontade para com tudo o que vive. Ela é amor.”
Gandhi

A psicologia do matar e o condicionamento de crianças

A PSICOLOGIA DO MATAR E O CONDICIONAMENTO DE CRIANÇAS
Coronel David Grossman

O Col. David Grossman é um psicólogo militar que cunhou o termo "killology" (matarlogia) para um novo campo interdisciplinar: o estudo dos métodos e dos efeitos psicológicos do treinamento de recrutas militares para driblar (circumvent) sua natural inibição para matar outros seres humanos (fellow human beings). Aqui ele evidencia que as mesmas técnicas usadas no treinamento de soldados estão atuando na mídia e no entretenimento.

Eu sou de Jonesboro, Arkansas. Eu viajo pelo mundo treinando pessoal médico, jurídico e militares norte americanos sobre as realidades da guerra (beligerância). Eu tento alertar ao máximo aqueles que lidam com forças mortíferas da magnitude do matar. Demasiados policiais e militares atuam como "cowboys", nunca parando para pensar sobre quem são e o que são chamados a fazer. Eu espero poder dar-lhes uma checagem de realidade.
Pois aqui estou eu, um viajante do mundo e um especialista no campo de "matalogia", e o maior massacre na história dos EUA aconteceu na minha cidade, em Jonesboro, Arkansas. Foi o tiroteio no campus escolar do dia 24 de março e que causou a morte de quatro meninas e de uma professora. Dez outros ficaram feridos e dois meninos, de 11 e 13 anos de idade, estão na prisão, acusados de assassinato.

Vírus da Violência

Para tentar entender o por que por trás do que aconteceu em Jonesboro, em Springfield, em Pearl e em Paducah, e de todas as outras erupções desse "Vírus da Violência", nós necessitamos compreender primeiramente a magnitude do problema. O índice per capita de assassinatos dobrou nos EUA entre 1957 (quando o FBI começou a registrar os dados) e 1992. Um quadro mais amplo do problema surge do índice relativo às tentativas de uma pessoa matar a outra - o agravamento do índice de assaltos. Este índice nos EUA aumentou de aproximadamente 60 tentativas por 100.000 habitantes em 1957, para 440 por 100.000 habitantes em meados desta década.
Contudo a taxa de crimes ainda se encontra num nível fenomenalmente alto, e isto é valido para o mundo inteiro.
Este vírus da violência esta ocorrendo mundialmente. A explicação para isto precisa estar vinculada a algum fator novo que ocorre em todos estes países. Existem vários fatores envolvidos e nenhum deve ser descartado: por exemplo, a prevalência de armas em nossa sociedade. Mas a violência está crescendo em muitos países com leis draconianas no que se refere à posse de armas. E, apesar de nunca podermos minimizar as conseqüências do abuso infantil, da pobreza, do racismo, só há uma variável nova presente em cada uma destas nações, gerando exatamente o mesmo fruto: a violência na mídia apresentada como entretenimento para crianças.

Matar Não é Natural

Antes de me retirar do exército, eu passei quase um quarto de século como oficial de infantaria e psicólogo, aprendendo e estudando capacitar as pessoas a matar. Acreditem-me, nós somos muito bons nisso. Mas a coisa não vem naturalmente; você precisa ser ensinado a matar. E da mesma forma como o exército está condicionando as pessoas a matar, nós estamos fazendo indiscriminadamente a mesma coisa com as crianças, mas sem as devidas medidas de proteção.
Trata-se de uma habilidade adquirida por aprendizado; você precisa ser ensinado a matar. E elas aprendem do abuso e da violência no lar, mais enfaticamente, da violência como entretenimento na televisão, no cinema e nos jogos interativos dos vídeo-games.
Matar requer treinamento, pois existe uma aversão embutida em matar o nosso próximo. Eu posso ilustrar isto mais facilmente baseando-se no meu próprio trabalho sobre a questão do matar no âmbito militar.
Todos sabemos que não podemos discutir ou argumentar com uma pessoa amedrontada ou irada. Uma vasoconstrição - o estreitamento dos vasos sangüíneos - literalmente provoca o fechamento da parte frontal do cérebro - aquela grande protuberância da massa cinzenta que nos torna seres humanos e que nos distingue de um cão. Quando estes neurônios se fecham o cérebro médio assume o comando e os nossos processos de pensamento e os nossos reflexos não se diferenciam mais daqueles do nosso cão. Se você trabalhou com animais, você passa a ter alguma compreensão do que acontece com seres humanos amedrontados num campo de batalha. O campo de batalha e o crime violento encontram-se no âmbito de respostas do cérebro médio. Dentro do cérebro médio existe uma poderosa e divina dádiva, a de resistência em matar os da mesma espécie. Cada espécie, com poucas exceções, tem uma alta resistência a matar o seu próximo em lutas por território ou por acasalamento. Quando animais de galhadas ou chifres lutam entre si, eles dão cabeçadas, geralmente sem maiores conseqüências ou ferimento. Mas quando lutam com qualquer outra espécie eles vão às últimas conseqüências. Piranhas voltam suas mandíbulas para qualquer coisa, mas lutam entre si com oscilações das caudas. Cascavéis morderão qualquer coisa, mas apenas lutarão entre si. Quase todas as espécies possuem esta forte resistência a matar os de sua própria espécie.
Quando nós, seres humanos, somos assolados pela ira ou pelo medo, nós batemos de cara com aquela resistência, embutida no cérebro médio, que geralmente nos previne de matar. Somente o sociapatas - que, por definição, não possuem a tal resistência - carecem deste sistema inato de imunidade à violência.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o general de brigada do exército norte-americano, S.L.A. Marshal, tinha uma equipe de pesquisadores para estudar o que os soldados faziam durante a batalha. Descobriram que somente 15 a 20% dos soldados conseguia decidir-se a atirar num soldado inimigo exposto.
Esta é a realidade no campo de batalha. Só uma pequena porcentagem de soldados é capaz e está disposta a participar. Homens estão dispostos a morrer, estão dispostos a sacrificarem-se por seu país, mas não estão dispostos a matar. Trata-se de uma tremenda percepção (insight) para dentro do fenômeno da natureza humana; mas quando os militares notaram isto eles passaram a proceder sistematicamente para tentar resolver o "problema". Do ponto de vista militar, 15% de índice de disparos eqüivale a algo como 15% de analfabetismo entre bibliotecários. E resolver o "problema" os militares conseguiram. Durante a Guerra da Coréia por volta de 55% dos soldados estavam dispostos a atirar para matar. E na Guerra do Vietnã o índice subiu para mais de 90%.

Os métodos nesta loucura: Dessensibilização (Desensitization)

A maneira como os militares aumentaram o índice de disposição para matar dos soldados em combate é instrutivo porque a cultura de hoje está fazendo a mesma coisa com as nossas crianças. Os métodos de treinamento usados pelos militares são: brutalização, condicionamento clássico, condicionamento operante e modelamento de arquétipos (?) (role modeling). Eu vou explicá-los no contexto militar e mostrar como estes mesmos fatores estão contribuindo para o fenomenal aumento da violência em nossa cultura.
Brutalização e dessensibilização é o que acontece nos centros de treinamento de recrutas do exército (boot camp). Do momento em que você desce do ônibus você passa a ser abusado física e verbalmente: incontáveis empurrões, infindáveis horas de alerta e de corridas com bagagens pesadas, enquanto profissionais cuidadosamente treinados se revezam em turnos, lançando impropérios e berros contra você. Sua cabeça é raspada, você é despido e amontoado com outros e recebe uma roupa uniforme, perdendo toda a individualidade. Esta brutalização é desenhada para quebrar suas normas e seus princípios de vida e aceitar um novo conjunto de valores que abraçam a destruição, a violência e a morte como uma forma de viver. No final, você está dessensibilizado para a violência e a aceita como uma habilidade normal e essencial para a sua sobrevivência no seu brutal novo mundo.
Algo muito parecido com esta dessensibilização para a violência está acontecendo com as nossas crianças através da violência na mídia - mas, ao invés de estar acontecendo aos 18 anos, já começa aos 18 meses de idade quando a criança começa a ser capaz de discernir o que está acontecendo na TV. Nesta idade uma criança pode ver algo acontecendo na TV e imitar aquela ação. Mas não é até que as crianças cheguem aos 6 ou 7 anos de idade que o cérebro permite que a criança passe a compreender de onde vem a informação. Mesmo que crianças pequenas tenham algum entendimento do que é imitar ou do que seja fazer de conta, desenvolvimentalmente elas ainda são incapazes de distinguir claramente entre fantasia e realidade.
Quando crianças pequenas vêem morto a tiro, esfaqueado, estuprado, brutalizado degradado, ou assassinado na TV, para elas é como se de fato estivesse acontecendo. Expor uma criança de 3, 4 ou 5 anos de idade a um filme de violência no qual pelos primeiros 90 min. ela foi induzida a estabelecer uma relação afetiva com o personagem para nos próximos 30 minutos acompanhar indefesa como o novo amigo é perseguido e brutalmente assassinado, é um equivalente moral e psicológico a introduzir seu filho a um amigo, deixando brincar com ele e depois trucidar aquele amigo em frente da vista da criança. E isto acontece às nossas crianças centenas e centenas de vezes.
É certo que lhes é dito: "Olhe, isto é só de brincadeirinha. Veja, isto não é real, é só a TV". E elas balançam suas cabecinhas aquiescendo. Mas elas não conseguem ver a diferença.
O jornal da Associação Médica Americana publicou o estudo definitivo do impacto da violência na TV. A pesquisa demonstra o que aconteceu em inúmeras nações após o surgimento da TV, comparando a nações e regiões sem TV. As duas nações ou regiões comparadas são étnica e demograficamente idênticas: somente uma variável é diferente: a presença da televisão. Em cada nação, região ou cidade com televisão ocorre uma imediata explosão de violência nos parquinhos nos pátios, e dentro de 15 anos o número de assassinatos dobra. Por que 15 anos? Este é o tempo que leva para a brutalização de uma criança de 3 a 5 anos de idade alcançar a "idade do crime primário" ("prime crime age"). Este é o tempo que leva para amadurecer aquilo que você semeou quando brutalizou e dessensibilizou uma criança de 3 a 5 anos de idade.

Condicionamento Clássico

O condicionamento clássico é como o famoso caso dos cães de Pavlov ensinados na psicologia 101: os cães aprenderam a associar o toque de uma campainha com a comida, e uma vez condicionados, os cães eram incapazes de ouvir uma campainha sem salivar.
Os japoneses eram mestres no emprego do condicionamento clássico em seus soldados. No início da Segunda Guerra Mundial prisioneiros chineses eram colocados de joelhos numa vala com as mãos atadas às costas. Um a um, um selecionado punhado de soldados japoneses ia até a vala e matava o seu "inimigo" a estocadas de baionetas. Trata-se de uma maneira horrível de matar um outro ser humano. Na parte de cima um incontável número de jovens soldados incentivava com aplausos a violência dos colegas. Comparativamente poucos soldados matavam nestas condições, por obrigar o resto a ver e aplaudir, os japoneses eram capazes de usar este tipo de atrocidades para classicamente condicionar uma grande audiência a associar prazer com sofrimento e morte humanas. Imediatamente após os soldados que haviam sido espectadores eram convidados a tomar saquê, receber a melhor das refeições em meses e ter contato com as assim chamadas "garotas de conforto" (confort girls). O resultado? Eles aprenderam a associar atos violentos com prazer.
Nós estamos fazendo exatamente o oposto: nossas crianças assistem a imagens vivas de sofrimento humano e morte, e elas aprendem a associá-lo com seu refrigerante ou doce favorito, ou com o perfume da namorada.
Após o massacre de Jonesboro, uma das professoras do colegial me contou como seus alunos reagiram quando ela lhes contou do tiroteio ocorrido no ginásio. "Eles riram", me disse ela desolada. Uma reação semelhante acontece constantemente nos cinemas quando há violência sangrenta. Os jovens riem e aplaudem e continuam comendo sua pipoca e bebendo seu refrigerante. Nós criamos uma geração de bárbaros que aprenderam a associar violência com prazer, como romanos aplaudindo e se alimentando enquanto os cristãos eram abatidos no Coliseu.
O resultado é um fenômeno que se assemelha muito à AIDS, que chamo de AVIDS - Síndrome de Imuno Deficiência à Violência Adquirida. A AVIDS nunca matou ninguém. Ela destrói seu sistema imunológico e então outras doenças, que não deveriam matar, se tornam fatais. A violência na TV, por si só, não mata. Mas ela destrói o seu sistema de imunidade à violência e o condiciona a derivar prazer da violência. E quando você esta próximo a uma outra pessoa e é hora de você puxar aquele gatilho, a Síndrome de Imuno Deficiência à Violência Adquirida pode destruir a resistência da parte média do seu cérebro.

Condicionamento Operante (Operant Conditioning)

O terceiro método usado pelos militares é o condicionamento operante, um processo muito poderoso de estímulo e resposta, estímulo e resposta.
Os militares e a polícia(?) (law enforcement community) transformaram o matar numa resposta condicionada. Isto elevou substancialmente o índice de disparos certeiros nos campos de batalha modernos. Enquanto que o treinamento da infantaria na segunda guerra mundial era feito em alvos circulares (?) (bull's-eye target), agora os soldados treinam em silhuetas humanas realistas que surgem no seu campo de visão. Este é o estímulo. Os soldados em treinamento só dispõem de uma fração de segundo para visualizar o alvo. A resposta condicionada é atirar no alvo e aí ele cai. Estímulo e resposta, estímulo e resposta estímulo e resposta - o soldado ou o policial vivenciam centenas de repetições. Mais tarde, quando um soldado se encontra num campo de batalha ou o policial está fazendo a sua ronda e alguém portando uma arma aparece repentinamente, eles atirarão por reflexo e o farão para matar. Nós sabemos que 75 a 80% dos disparos nos campos de batalha moderno acontecem devido a este tipo de treinamento de estímulo e resposta. Agora, se você está um pouco preocupado com isto, quando mais preocupado não deveria estar pelo fato de que toda vez que uma criança brinca com um vídeo-game interativo do tipo mira-e-atira, ela está aprendendo exatamente as mesmas habilidades: a motora e a de reflexo condicionado.
No mundo militar e na polícia, a opção acertada freqüentemente é não atirar. Mas você nunca, nunca insere uma moeda naquela máquina de vídeo com a intenção de não atirar. Sempre existe um estímulo que dá o início. E quando ele estava excitado e suas batidas cardíacas aumentavam e a vaso constrição fechava a parte frontal do seu cérebro, aquele jovem fez exatamente o que estava condicionado a fazer: reflexivamente ele puxou o gatilho, atirando com precisão como sempre o fizera nas tantas vezes que jogou os vídeo-games.

Figuras Modelo ou Modelos Arquétipos (Role Models)

No âmbito militar você é imediatamente confrontado com uma “figuras modelos" (?) (role model): o seu sargento de instrução (drill sargeant). Junto com heróis militares, estas "figuras modelos" ou "métodos arquétipos" (role models) violentos sempre foram usados para influenciar mente jovens e impressionáveis. Hoje em dia a mídia está suprindo nossas crianças com "figura modelo" ou "modelos arquétipos" (?).
Assim obtemos os "assassinatos por imitação em cadeia" ("copycat cluster murders") que se alastram pelos EUA como um vírus, espalhados pelos noticiários televisivos. Independente do que alguém tenha feito, se você puser sua imagem na TV, você o tornou uma celebridade e alguém, em algum lugar, vai emulá-lo.
Na média um pré-escolar nos EUA assiste a 27 horas de TV por semana. A criança média recebe mais comunicação direta da TV do que de seus pais e professores combinados. O maior feito para nossas crianças é ter sua imagem apresentada na TV. A solução é simples e provém diretamente da literatura da "suicidologia". A mídia tem todo o direito e a responsabilidade de contar a história, mas não tem o direito de glorificar os assassinos ao apresentar suas imagens na TV.

Desaprendendo a Violência

Qual o caminho de retorno do lugar escuro e solitário para o qual viajamos? Uma rota infringe as liberdades civis. A cidade de Nova Iorque fez significativos progressos nos últimos anos em reduzir o índice de crimes, mas eles o conseguiram às custas de algumas liberdades civis. Pessoas que estão amedrontadas dizem que este é o preço que estão dispostos a pagar.
Uma outra rota seria de "simplesmente desligue-a", se você não gosta do que está passando na TV use o botão "desligar". Uma outra rota para reduzir a violência é o controle de armas.

Reagindo (Fighting Back)

Trabalho necessário em todas estas áreas, mas surgiu uma nova frente - a de produtores e provedores de mídia de violência. Dito diretamente, nós devemos trabalhar por uma legislação que torna ilegais os vídeo-games violentos para crianças. Não existe direito constitucional para uma criança fazer uso de vídeo-game interativo que a ensine habilidades no uso de armas ou que simulam a destruição de criaturas criadas por Deus.
Um executivo da CBS me contou sobre seu plano. Ele conhece tudo concernente ao elo entre a mídia e a violência. Seu próprio pessoal o alertou para proteger sua filha do veneno que sua indústria está trazendo para as crianças norte americanas. Ela não irá expor sua filha à TV enquanto ela não tiver atingido a idade de aprender a ler. Então ele selecionará cuidadosamente o que ela poderá assistir. Ele e sua esposa estão planejando mandar sua filha a uma creche (daycare center) que não tenha TV e ele planeja mostrar-lhe somente vídeos condizentes com sua idade.
Este deveria ser o mínimo dos mínimos com as criança: Mostrar somente vídeos condizentes com a idade e refletir bastante sobre o que significa - condizente a idade.
O que a mídia nos ensina não é natural, e se confrontado com amor e incentivo, faz com que a casa que eles ergueram sobre areia venha abaixo. Mas nossa casa repousa sobre a rocha. Se nós não apresentarmos ativamente os nossos valores, então é mais que seguro que a mídia infligirá os seus valores sobre nossas crianças, e as crianças tal como aquelas da classe aguardando Gettysburg, simplesmente não saberão como se conduzir melhor.
Há muitas outras coisas que a comunidade pode fazer para ajudar a mudar a nossa cultura. Atividades para jovens podem providenciar alternativas para a televisão, e grupos socialmente conscientes podem liderar o caminho providenciando locais alternativos para criança infratoras, como também proporcionar orientação e ajuda a pais novos que estão tentando criar seus filhos sem as influências destrutivas da mídia. Programas de monitoramento podem estabelecer parcerias entre adultos maduros e educados com pais jovens para ajudá-los a atravessar o período pré-escolar sem que a TV se torne a babá de seus filhos. E, acima de tudo, cada indivíduo precisa assumir o chamado gritante pela decência, pelo amor e pela paz, como alternativa para a morte e a destruição, para a transformação da nossa cultura. E a mídia seguirá.

O Lt. Col. Dave Grossman (aposentado) é um especialista na psicologia do matar. Ele agora leciona psicologia na Universidade Estadual de Arkansas, dirige o Grupo de Pesquisa em Matalogia (Killology) em Jonesboro, Arkansas, escreveu o livro "On Kiliing: The Psychological Cost of Learning to Kill in War and Society (Little, Brown and Co., 1996). Este artigo é adaptado de uma palestra que ele deu no Bethel College, North Newton, Kansas.
http://www.aliancapelainfancia.org.br/paginas/psicologia.htm. Acessado em 14 de fevereiro de 2002